Carta Domina · Newsletter Semanal
Nº 002
TERÇA-FEIRA · 19 DE MAIO
Por que a campanha que vendeu no Q4 destruiu a curva do Q1.
A leitura honesta de uma campanha de Black Friday que bateu meta no quarto trimestre, e custou três meses de operação no primeiro trimestre seguinte.
By Lucas Dias
Olá,
Esta carta vai bater num assunto que aparece todo janeiro: a ressaca operacional do quarto trimestre. Em uma única semana, conversei com quatro marcas em estágios muito diferentes que estão vivendo a mesma frustração, o Q4 foi excelente, e o Q1 está sendo um deserto. As duas afirmações estão conectadas, e quase nunca a conta é feita.
A história começa, em quase todos os casos, da mesma forma. A marca planeja a Black Friday com seis a oito semanas de antecedência. Mídia agressiva, desconto agressivo, cupom em base própria, parceiro de afiliado, criador, push de marketplace. Em quatro dias, vende o que normalmente venderia em três semanas. Bate meta com folga. O time celebra. A diretoria pede mais o ano que vem.
O que ninguém compara é como essa entrega muda o comportamento da base de cliente nos três meses seguintes. Cliente que comprou na Black Friday com 40% de desconto não compra em janeiro a preço cheio. Cliente que estava a três meses de comprar antecipou a compra. Cliente que comprou pelo afiliado tem chance baixa de virar cliente direto. O resultado prático é que a marca queimou demanda futura, queimou margem futura, e queimou base de aquisição direta, tudo pra cumprir uma meta trimestral.
A conta honesta da Black Friday, então, não é o faturamento do quarto trimestre. É o resultado consolidado dos cinco meses entre outubro e fevereiro. Quando você faz essa conta, descobre que a maior parte das marcas que celebram Q4 brilhante está, na prática, antecipando receita do Q1 com perda de margem. O lucro líquido somado dos dois trimestres é, na maioria das vezes, pior do que seria sem campanha agressiva.
Não estou dizendo que Black Friday não vale a pena. Estou dizendo que precisa ser medida no horizonte certo. E que a métrica que importa é margem de contribuição consolidada por safra de cliente, não faturamento trimestral isolado.
Se sua marca está vivendo Q1 frio agora, faça a conta dos cinco meses. Pode ser desconfortável. Mas é a única forma de evitar repetir o erro em outubro.
Até quarta, Lucas
Próxima edição: quarta-feira, no seu e-mail.