Quando o canal próprio começa a competir com o marketplace dentro da mesma marca.
Sobre o ponto da curva em que a operação para de ser unificada e cada canal vira um departamento isolado, com KPIs próprios e prioridades conflitantes.
By Editoria Domina
Toda marca que vende em marketplace e em canal próprio chega num momento da curva em que os dois canais começam a competir pelo mesmo cliente. Não é teoria, é o que acontece na prática quando o time de marketplace tem meta separada, o time de canal próprio tem meta separada, e ninguém na operação está mediando o conflito.
A história tende a se desenrolar mais ou menos assim. O marketplace cresce rápido nos primeiros meses porque captura volume com facilidade. O canal próprio cresce mais devagar, porque exige construção de marca, aquisição direta, retenção. Em algum momento, o gestor de marketplace começa a aplicar desconto agressivo pra defender share. O canal próprio reage com promoção própria. Em três meses, a marca está canibalizando ela mesma.
O cliente que comprava pelo seu site, com sua jornada, sua margem, agora compra no marketplace. Mesma marca, menos margem, dependência aumentada do terceiro.
A raiz do problema não está no marketplace nem no canal próprio. Está no fato de que ninguém na empresa está olhando os dois como partes da mesma operação. Cada um tem KPI próprio, time próprio, prioridade própria, e portanto, inevitavelmente, conflito de interesse próprio.
A saída exige duas decisões simultâneas. Primeiro, ter alguém com responsabilidade unificada sobre distribuição, não sobre canal A nem sobre canal B, mas sobre como a marca chega ao cliente independente do ponto de venda. Segundo, estabelecer regras claras de precificação cruzada: o que o canal próprio pode fazer que o marketplace não pode, e vice-versa.
Sem essas duas decisões, a marca vai continuar competindo consigo mesma indefinidamente. Com elas, o marketplace volta a ser o que sempre foi: canal de alcance e descoberta. E o canal próprio volta a ser o que precisa ser: a vitrine principal, onde a marca conta a história inteira e captura o cliente pra continuar contando ao longo do tempo.
A distinção parece sutil, mas decide o futuro da marca. E é exatamente nesse ponto da curva que metade das operações brasileiras está parada hoje.
Tópicos
Mais notícias
Ver arquivo →-
Análise · 12 min
Os três anos que separam um e-commerce sólido do que estaciona.
-
-
Uma carta sobre e-commerce, toda quarta no seu e-mail.
Assinar a Carta Domina →